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  Onde nasce o São Francisco?  

Pedro Ferreira - Repórter

Hoje em Dia (MG) 04/05/2004

Notícias do S. Francisco

 

Quem pensa que o Rio São Francisco nasce na Serra da Canastra, no Sudoeste de Minas, pode estar enganado, a julgar por um estudo produzido por um grupo de trabalho da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf). Através de um mapa topográfico, feito por computador, os pesquisadores mostram que a vazão, a calha e a profundidade do Rio Samburá são maiores que o braço do Rio São Francisco, onde os dois se encontram, na confluência dos municípios de São Roque de Minas, Bambuí e Pium-i. No relatório, já encaminhado ao Ministério do Meio Ambiente, os pesquisadores defendem que o "Velho Chico", na verdade, seria afluente do Samburá.

O engenheiro agrônomo Geraldo Gentil Vieira, coordenador da equipe técnica da Codevasf, participou da Expedição Américo Vespúcio em 2001, percorrendo, de barco, toda a extensão do São Francisco, até a sua foz, em Alagoas. "Descobri coisas do arco da velha sobre o São Francisco", disse ontem o pesquisador, que garante que muito antes da pesquisa já tinha conhecimento do que chama de verdadeira nascente do rio, no município de Medeiros. Segundo ele, a nascente do São Francisco está, na verdade, no Planalto de Araxá, onde os livros de Geografia dizem que nasce o Rio Samburá.Desse local, até o ponto de confluência dos dois rios, no cânion de São Leão, a distância é de 147,30 quilômetros . Já a distância do cânion até a nascente oficial do São Francisco, na Serra da Canastra, é apenas 98,12 quilômetros . 'Como um rio maior pode ser afluente do menor?', questiona Geraldo Vieira, que nasceu em Iguatama, cidade ribeirinha do São Francisco, próximo à Serra da Canastra.

A descoberta dessa nova nascente do "Velho Chico", garante o pesquisador, foi feita na década de 90, quando ele acompanhava blitze ecológicas da Polícia Florestal ou praticava canoagem. Em 1999, quis provar a sua tese e, em 2001, realizou a Expedição Américo Vespúcio, que durou 35 dias. Em 2002, um grupo de trabalho foi criado pela Codevasf para fazer o geoprocessamento do Rio São Francisco.

Os estudos de laboratório e de campo, segundo Geraldo Vieira, concluíram que a extensão do Rio Samburá é bem maior do que a do São Francisco, isso levando-se em consideração o local onde os dois rios nascem e se encontram. Desse ponto até a foz do São Francisco, em Piaçabuçu, Alagoas, seriam mais 2.716 quilômetros . E isso, segundo o pesquisador, dá uma nova extensão geográfica para o "Velho Chico". Geraldo Vieira contesta a informação de que o São Francisco teria apenas 2.700 quilômetros . Para ele, o rio possui mais de 3.001 quilômetros , cortando Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas.

Devido a problemas operacionais, as vazões dos rios São Francisco e Samburá, no ponto onde se encontram, foram constatadas apenas visualmente, informa Geraldo Vieira. Segundo ele, serão feitas medições com aparelhos próprios, como o molinete, que dá com precisão a velocidade de um curso de água por meio de rotação. "Vamos saber quantos litros ou metros cúbicos de água por segundo tem cada rio", informa o pesquisador. Dois anos após a conclusão de seus estudos, Geraldo Vieira afirma que, agora, a proposta da Codevasf é 'levantar a bandeira' para que o Parque Nacional da Serra da Canastra seja estendido até Samburá. Outro objetivo é criar o Parque Estadual da Mata de Pains, de 6 mil hectares, em uma Área de Proteção Ambiental (APA) formada pelas "dez cidades-mães do São Francisco": Iguatama, Bambuí, Medeiros, São Roque de Minas, Vargem Bonita, Pium-i, Doresópolis, Córrego Fundo, Pains e Arcos. Essas propostas, já encaminhadas ao Ministério do Meio Ambiente, teriam sido acatadas, segundo Geraldo Vieira, para o Plano Nacional de Conservação e Revitalização do Rio São Francisco.

Com a descoberta do que seria a nova nascente do Rio São Francisco, o engenheiro agrônomo Geraldo Gentil Vieira acredita que poderá reforçar o ecoturismo na região. As vertentes do Samburá, conforme ele, são tão bonitas quanto as da Serra da Canastra, onde a cachoeira de Casca D'Anta, conhecida por "Catedral", é o marco oficial da nascente do São Francisco. "As vertentes do Samburá têm topografia mais acidentada. É mais recortada por vales e montanhas", compara.

No trecho do Rio Samburá, antes de seu encontro com o Rio São Francisco, Geraldo Vieira conta que são 35 quilômetros de cânion. "A gente vai descendo de barco, em águas cristalinas, e vendo as cavernas nos paredões". Para fazer esse percurso, ele orienta a contratação de um guia próximo à ponte do logradouro de São Leão, em uma estrada de terra que liga Pium-i a Bambuí.

Para Geraldo Vieira, a beleza e a exuberância da cachoeira de Casca D'Anta roubou a verdadeira nascente do São Francisco, que acabou sendo encurtado em mais de mais de 100 quilômetros . Ao todo, existem 38 cachoeiras com mais de 50 metros de queda no entorno da Serra da Canastra, um tesouro natural que, para ele, impressiona pela beleza de sua fauna e flora. Na Casca D'Anta, o São Francisco dá um salto de 186 metros para seguir o seu curso, cenário que impressionou os bandeirantes no século XVII.

Na busca de dados geográficos mais precisos, que comprovem que a nascente do São Francisco está mesmo no pequeno município de Medeiros, Geraldo Vieira diz terem sido usadas imagens de satélite, cartografia adequada, além de visitas locais. A metodologia utilizada, segundo o engenheiro, foi capaz de atender a todas as escalas existentes.

O Instituto de Gestão das Águas de Minas Gerais (Igam) informou que vai analisar a tese dos pesquisadores, que deverão ser procurados para esclarecimentos. Também informou que pretende enviar seus técnicos à área de geoprocessamento para um levantamento in loco. A assessoria de imprensa da Agência Nacional de Águas (ANA) informou não ter ninguém disponível, ontem, para falar sobre o assunto. Parte menor ficaria com Minas.

O engenheiro Marcelo de Deus Melo, da Gerência de Planejamento Hidroenergético da Cemig, disse ontem ao HOJE EM DIA que essa hipótese de o São Francisco ser afluente do Samburá já foi levantada em alguns fóruns técnicos e deverá ser objeto de estudo pelo Conselho do Plano Nacional de Recursos Hídricos. 'Esse é um assunto muito complicado', definiu. Se o Samburá for considerado oficialmente como nascente do São Francisco, ele passa para o domínio da União e a outorga de uso de suas águas será feita pela Agência Nacional de Águas, e não mais pelo Igam. Em compensação, o órgão estadual ficaria com a administração do trecho do São Francisco que vai da Serra da Canastra até a confluência com o Samburá, diz Marcelo Melo.

A Cemig tem uma estação de medição da vazão do São Francisco em Iguatama, mas não faz a medição do Samburá. Melo considera que a extensão do rio e o tamanho da calha são fatores mais importantes do que a vazão na área de confluência dos rios, para estabelecer qual é o principal e qual é o afluente. E exemplifica: na junção dos rios Jequitinhonha e Araçuaí, este último, o afluente, tem vazão maior que o primeiro. Além disso, acredita que existem aspectos históricos que devem ser considerados, antes que a polêmica levantada pela equipe da Codevasf seja resolvida.Nenhum dos dois trechos de rio apresenta potencial energético importante e, 'em uma análise preliminar', diz Melo, a Cemig não seria afetada com a mudança.