Freeonline.it - La guida italiana alle risorse gratuite
 
Home Fotos A Região Contato
 
Indice generale
 
»
Home
»
Roteiros e Mapas
»
A Região
»
Expedições
»
Artigos e Reportagens
»
Galeria de Fotos
»
Programe-se
»
Contato
»
 
»
 
»
 
»
 
»
 
Tutto Gratis

 
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
 
 

As descobertas, a glória e a ética.

 
De como a nova nascente do rio São Francisco virou lenda

Silvestre Gorgulho

Maio de 2004

Quem faz sua própria trilha deixará sempre seus rastros. E para fazer a trilha são necessários planejamento, oportunidade e coragem. A História está cheia de exemplos: quando Robert Falcon Scott chegou à Antártica, em 17 janeiro de 1912, ficou frustrado em não ser o primeiro. Lá encontrou a tenda erguida pelo norueguês Roald Amundsen, que já havia chegado ao Pólo Sul um mês antes, em 14 de dezembro de 1911. As glórias ficaram para Amundsen. Quando os irmãos Wright se fecharam em copas para pesquisar e tentar um objeto voador mais pesado que o ar, tentando patentear sozinhos e em segredo o projeto do avião, perderam a glória para o gênio festivo de Santos Dumont, que fazia seus experimentos pelos parques públicos de Paris. E, incrível, mas foi Américo Vespúcio quem deu o nome ao Novo Mundo descoberto por Colombo. Também incrível, o mesmo Vespúcio é tido como o descobridor do rio São Francisco, quando, na verdade, o Chefe da Armada que ele integrava era Gonçalo Coelho, que no caso deveria levar as honras e glórias. Assim é a vida...
Guardadas as devidas proporções, coisas semelhantes estão acontecendo nos dias de hoje, tendo como cenário não mais a foz descoberta por Vespúcio, mas a nascente do Velho Chico, descoberta e redescoberta por muita gente... Ao ser o primeiro a divulgar seu trabalho num "paper técnico" da Codevasf mostrando que a nascente do São Francisco não está na belíssima serra da Canastra, como os livros, mas no Planalto do Araxá, no município de Medeiros, o engenheiro agrônomo Geraldo Gentil Vieira abriu uma polêmica sem precedentes. Sua glória está calcada na coragem, na oportunidade e no planejamento que vem fazendo há três anos. Primeiro, coordenando uma importante expedição que desceu o rio São Francisco da nascente à foz; segundo, fazendo jus à barranqueiro, pois sendo natural de Iguatama - uma das dez cidades das cabeceiras - o próprio Geraldo Gentil fez o projeto para a medição oficial para determinação das nascentes. Venceu o esforço de um técnico que com equipe de primeira grandeza integrada pelo próprio Gentil, pelo agrimensor Leonaldo Silva de Carvalho, pelo agrônomo Miguel Farinasso, pelo engenheiro Paulo Afonso Silva e pela geógrafa Rosemery José Carlos. Vencerá o bem se todos os organismos oficiais buscarem apenas a verdade e darem, generosamente, a César o que é de César, a Deus o que é de Deus e ao rio Samburá o que é do rio Samburá. Nosso País só será grande quando imperar a ética, quando acabar o obscurantismo que teima em perpetuar pelos corredores do Estado brasileiro e quando tiver um ponto final o jeitinho e o faz de conta.
Aliás, essa história de nova nascente é uma bela lição para marcar a decisão política de se fazer o projeto de revitalização do rio São Francisco. Um rio de muitas nascentes e todas elas devem ser bem preservadas. O que deve ser enterrado e secar definitivamente são os discursos vazios e as promessas que teimam acontecer nos anos eleitorais.

Fonte: FOLHA DO MEIO AMBIENTE