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  Uma nova nascente para o Velho Chico  

Hugo Marques

Jornal do Brasil

26/4/2004

 

Estudo diz que o Rio São Francisco nasce em Medeiros, e não na Serra da Canastra

BRASÍLIA -''Aqui nasce o São Francisco''. A placa que saúda os visitantes na Serra da Canastra, em Minas Gerais, corre o risco de ir por água abaixo. Um estudo feito pela equipe de especialistas da Companhia do Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf) revela novidades sobre o Velho Chico: ele não nasce na Serra da Canastra e é ainda maior do que se pensava. O relatório da Codevasf, publicado na semana passada pela Folha do Meio Ambiente, conclui que o São Francisco nasce no município de Medeiros, fora do Parque Nacional da Serra da Canastra. Brota primeiro nas nascentes da Serra D'Água que formam o Rio Samburá, até então pouco conhecido. No Samburá, caem as águas que descem da Serra da Canastra. - O principal é o Rio Samburá. O braço que desce da Serra da Canastra é afluente - confirma o engenheiro Paulo Afonso Silva. Além de Paulo, participaram da equipe técnica os engenheiros Geraldo Gentil Vieira, Leonardo Silva de Carvalho e Miguel Farinasso, e a geógrafa Rosemery José Carlos. A equipe desenvolveu a pesquisa no fim de 2002. Além de topografia e vários tipos de levantamentos técnicos no local, a Codevasf lançou mão de uma análise por satélite. A equipe descobriu que o Samburá tem maior bacia hidrográfica, maior vazão, maior calha e mais profundidade que o curso d'água que cai da Serra da Canastra. Além disso, o rio segue linha reta no local da confluência. O curso d'água que desce da Serra penetra no rio principal, confirmam os técnicos. Os pesquisadores avisam que o trabalho não tem a função de diminuir a importância histórica da Serra da Canastra como local onde nasce o São Francisco, e tampouco reduzir o esplendor da cachoeira Casca D'Anta, que desce na lateral da serra. Eles preferem chamar de ''nascente histórica'' a que vem da Canastra, e de ''nascente geográfica'' a que sai de Medeiros, descoberta durante os levantamentos topográficos. - O estudo não tira a importância da Serra da Canastra, mas eleva a importância do Samburá - avisa Paulo Afonso. Os pesquisadores acreditam que a descoberta será muito importante para a preservação do São Francisco, um dos rios que mais sofrem a depredação do homem, com desmatamento e assoreamento em várias regiões. O Rio Samburá, segundo avaliação pessoal de Paulo Afonso, não tem o mesmo ''charme'' das águas que caem da Serra da Canastra. - É um rio bem comum. É uma mesmice em termos de paisagens - opina Paulo Afonso. O Samburá tem 147,3 quilômetros até encontrar o curso d'água que desce da Serra da Canastra. Até o encontro com o Samburá, as águas que descem da serra percorrem 98 quilômetros. No Samburá, os pesquisadores encontraram um conjunto de cânions que dificultou o acesso e a pesquisa. Paulo Afonso sentiu na pele os percalços do caminho: torceu o pé e foi obrigado a ficar alguns dias de repouso. O próximo passo do governo federal é criar outro parque nacional na região, para preservar as verdadeiras nascentes do São Francisco de eventual depredação ambiental. Na visita à região, os estudiosos observaram que as margens do Samburá são preservadas e o rio não está poluído. Com a nova medição feita pela equipe da Codevasf, o Rio São Francisco passa a ter 2.863,3 quilômetros. A extensão do Velho Chico não é consenso nem entre órgãos oficiais e enciclopédias. O tamanho do rio chega a variar de 2,7 mil quilômetros até 3,1 mil quilômetros. Os pesquisadores da Codevasf querem agora realizar um trabalho semelhante no Rio Parnaíba. O objetivo do estudo é também o de medir o rio, descobrir o volume de água das nascentes e checar o nível de degradação ambiental. Estes relatórios, acreditam os especialistas, serão importantes fontes de informação para a hidrografia e a preservação do meio ambiente no país.