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   As Dez Cidades Mães do São Francisco  

A região das Dez Cidades-Mães do S. Francisco ou das Cabeceiras
As nascentes, os primeiros afluentes
A Mata de Pains


As “dez cidades-mães do S. Francisco” é uma metáfora que criei para definir esta região das cabeceiras do rio, em tudo desconhecida do contexto geral da bacia desde tempos idos, e pior ainda, nos tempos atuais. Ela não está em nenhuma mesa ou agenda de planejamento da bacia, sendo que na minha modesta opinião tudo deriva daqui, e foi aqui que foram dados os primeiros gritos para o salvamento do rio em descidas de canoagens ecológicas.
O estudo que vem a seguir baseia-se num diagnóstico que fizemos tempos atrás, e foram escritos por Vieira (1998); eles são derivados de reuniões e andanças que fazíamos em defesa das cavernas, lagoas e rios da região. Amigos de Iguatama, Pains e Formiga, fazíamos incursões e pequenas expedições nos finais de semana ou blitz ambientais com a PM Florestal. Éramos os “Filhos da Mata, por uma ecologia política”, uma Ong ainda sem registro e o “Copodema”, Comissão Popular de Defesa do Meio Ambiente de Pains, e eu não passava de um ING, indivíduo não governamental. Sobrevoamos no “helicóptero verde” do IEF toda essa região em setembro de 1998, com equipes do IEF de Belo Horizonte, Divinópolis e o José Wilson do IEF de Arcos.
Descemos ao mundo subterrâneo das cavernas e escalamos paredões, como os de Timburé (o que tinha os furos para dinamitação) e o de Corumbá (das pinturas rupestres obliteradas com talhadeiras) em blitz com a Polícia Florestal sob o comando do major Pedro Hélio Silva. É preciso fôlego para ler tanta coisa, e os signatários vem no original da proposta (dentre eles o Ricardo Dimas e Débora, a Madalena Asmar e a Lola Garcia); a bem da revitalização do rio e da expedição, vai aqui a transcrição literal dele. O documento foi encaminhado pelas Ongs ao então secretário do Meio Ambiente de Minas Gerais, José Carlos Carvalho, que foi favorável à criação de um parque estadual nos maciços cársticos e de uma APA na região das cabeceiras como recomendado. Sua assessora, bióloga Aline Tristão Bernardes - soube depois que foi para NY e hoje está coordenando a fazenda/RPPN do famoso fotógrafo Sebastião Salgado em Aimorés-MG -, via grande viabilidade na proposta, e certa vez disse-me ao telefone que a forma de apresentação do projeto chamou-lhe a atenção, uma vez que fugia dos padrões convencionais - dos insensíveis e frios pacotes que tratam da flora e da fauna – sendo que o secretário Carvalho determinou medidas e estudos para sua criação, um processo demorado mas não inviável:

“O trabalho impressionou-me, admitiu o secretário, e o que era inicialmente a idéia de apenas uma área de conservação poderá mesmo ser ampliada criando-se também uma APA. A proposta foi encaminhada à Diretoria de Zoneamento do IEF para exame” (Estado de Minas, 25/06/1998).

Também a Folha da Manhã de Passos, em cinco de julho desse ano em ampla reportagem e fotos da região, publicou entrevistas e noticiou a criação das unidades de conservação propostas pelas Ongs, ainda um sonho e um projeto no papel.

Características Gerais da Mata de Pains
Histórico
Os primeiros exploradores desta região foram os bandeirantes e mais tarde os naturalistas europeus. Incursões e passagens de bandeirantes vindos de São Paulo para Goiás e Mato Grosso, através dos contrafortes da Mantiqueira, Campos das Vertentes e daí rumo ao Rio São Francisco, Triângulo (chamado à época Sertão da Farinha Podre) e Goiás, ocorreram desde a segunda metade do século XVII, mais precisamente em 1673. As bandeiras geralmente seguiam trajetos e rotas dos índios, os chamados “caminhos pré-históricos”: Caminho Velho (origem em Parati) e Caminho Novo (origem no Rio de Janeiro). Os bandeirantes, partindo de Taubaté, atingiam Barbacena, onde bifurcava-se, um seguindo para Ouro Preto e o Rio das Velhas; o outro rumava para o Rio das Mortes e São João del Rei. Só após a Guerra dos Emboabas no início do século XVIII, as bandeiras atingiram as nascentes do São Francisco, o Oeste de Minas e o Triângulo. De início as picadas eram oriundas de índios e bandeirantes. Com o uso pelos tropeiros e levas de comboios de viajantes e aventureiros, essas trilhas se alargaram. O transporte era feito por caravanas de tropeiros sobre o lombo de burros e mulas equipados com canastras, bruacas e jacás. As tropas eram compostas de até dez lotes de burros, cada lote com sete animais de carga. Carros de bois e carroças eram utilizados. Levava-se dois meses de São Paulo a Minas de Cataguazes, marchando da madrugada ao início da tarde, arranchando em pousadas rústicas muitas vezes sem paredes, e pastos públicos no itinerário. Alimentos: feijão, carne seca, farinha, caça, peixes, mel e frutas silvestres.
A abertura de estradas oficiais era proibida, concentrando-se o tráfego só em algumas poucas. O “Caminho Velho”, partia do vale do Paraíba passava por Aiuruoca até São João Del Rey e Ouro Preto. Em 1736 foi aberta a Picada de Goiás, passando por Tamanduá (Itapecerica), com um ramo para Formiga-Porto Real do São Francisco (Iguatama), Desemboque e Araxá, e outro de Itapecerica para Pitangui. A primeira rota cruzava a Mata de Pains e logo após cruzava o rio S. Francisco. Nas primeiras décadas de 1800 as estradas eram precárias, carroçáveis, quase sempre esburacadas e lamacentas no período chuvoso. Caminhos para trekking como se diz hoje, os naturalistas foram os primeiros trekkers. Matas e matas cobriam a região e os rios eram caudalosos. E assim iam os denodados naturalistas-viajantes europeus descrevendo as regiões brasileiras, em relatos minuciosos, hoje publicados pela Editora Itatiaia de Belo Horizonte. Das origens em 1673 até hoje, trezentos e vinte cinco anos de colonização e uso contínuo da terra mineira, uma parceria nem sempre amistosa entre o homem e o mundo natural dessas paragens naturais de Pains e das cabeceiras do São Francisco. Viajando em lombo de mulas, dormindo em paióis, engenhos, raras vezes na casa-grande e muitas vezes ao relento, enfrentando tempestades e o frio do inverno, transportando com enorme dificuldade suas coletas sempre crescentes de amostras de plantas, animais e minerais, a saga desses cientistas ainda não foi descoberta pelas gerações atuais. Acompanhavam-nos fiéis negros-livres, muleiros, arrieiros e guias ao longo dos precários caminhos. Vejamos alguns dos viajantes-naturalistas:
Augustin François Cesar Provensal de Saint-Hilaire - Auguste de Saint-Hilaire (1779-1853), botânico francês, sucedeu a Lamarck na Academia de Ciência de Paris. Percorreu o Brasil de 1816 a 1822, interpretando as relações entre o meio físico e as plantas observadas, os costumes e usos, a realidade do país. Obras: Plantas Usuais dos Brasileiros, História das Plantas mais Notáveis do Brasil e do Paraguai, Flora do Brasil Meridional. Outros livros são Viagem pelas Províncias do Rio de Janeiro e Minas Gerais e Viagem às Nascentes do S. Francisco, etc.

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